Brexit, impacto no turismo e para a hotelaria em Portugal

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É amplamente conhecida a vontade do Reino Unido sair da união europeia, depois da decisão dos seus pares membros, que deram luz verde à sua saída agendada para março de 2019 e que viria a não se concretizar.  Existindo um prolongamento desta data até 31 de Outubro de 2019, isto acontece, dois anos depois do lançamento oficial de todo o processo de saída, três anos após o referendo de 23 de junho de 2016 em que 52% dos britânicos votaram a favor do ‘Brexit’.

Mas será assim tão gravosa e desastrosa para os estados membros da união europeia este desligamento umbilical, rompendo com a livre circulação de pessoas e mercadorias? Quais serão os seus efeitos económicos e qual o impacto do ponto de vista do turismo em Portugal?

"...diz-nos o bom-senso que provavelmente não se verificarão os cenários mais catastróficos, nem os mais otimistas..."

Existe muita especulação à volta deste assunto, no entanto diz-nos o bom-senso que provavelmente não se verificarão os cenários mais catastróficos, nem os mais otimistas. Provavelmente os seus efeitos estarão no meio destas duas realidades, o Reino Unido de um momento para o outro não deixará de ser a economia forte que é, nem se isolará do mundo, deixando de fazer trocas comerciais com os seus parceiros.

Comportamento do Turismo nos últimos anos

O peso do Turismo na economia nacional tem aumentado de forma notável nos últimos anos. De acordo com o TravelBI do Turismo de Portugal, as Receitas Turísticas em Portugal representaram 8,2% do Produto Interno Bruto, o que corresponde a 16,6 mil milhões de euros, assim como representa 18,6% das Exportações Globais.

Receitas do Turismo em Portugal atingiram em 2018, a marca de 8,2% do PIB

Este resultado evidencia um crescimento de 9,6% face a 2017, ano em que as receitas turísticas em Portugal valiam 7,8% do PIB. Desde 2014, o crescimento anual deste indicador foi de 0,4 pontos, pelo que o registo do ano passado (+2,2 pontos face a 2014) se torna ainda mais significativo.
Mais de 12,76 milhões de turistas estrangeiros visitaram Portugal no ano de 2018, revelando um crescimento de 0,4% face ao ano anterior. Esta taxa de crescimento evidencia um forte abrandamento à tendência que temos vindo a registar nos últimos anos, tendo sido a maior, de 11,7%, de 2016 para 2017. Em relação ao consumo turístico por turistas estrangeiros, ainda não foram revelados dados referentes ao ano de 2018, salientamos no entanto os dados anteriores, em que o peso dos turistas estrangeiros no consumo turístico no território subiu de 61,2% em 2014 para 63,1% no ano 2017. Também o Valor Acrescentado Bruto (VAB) gerado pelo Turismo registou uma subida expressiva, passando de 6,9% em 2016 para 7,5% no ano 2017.

Estudo da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) sobre o “Brexit”

Em 2018 a CIP desenvolveu um estudo sobre o impacto do “brexit” em Portugal, com o apoio da Ernst & Young - Augusto Mateus & Associados (EY-AM&A), em que apontava o Turismo e as exportações para o setor automóvel como duas atividades sobre elevado risco de sofrer um impacto elevado recorrente do Brexit, no entanto existem outras com grande dependência das exportações que possuem um risco bastante mais elevado.
Este trabalho, analisou o impacto da saída do Reino Unido da União Europeia ('brexit') em que vários produtos e serviços portugueses, que são exportados para aquele país podem estar sujeitos a restrições no futuro (taxas alfandegárias, impostos, etc).

O que pode acontecer no sector do Turismo?

É expectável que se assista a uma quebra do poder de compra dos ingleses, é devido a esse facto, que poderemos estar na presença de serviços sujeitos a algumas pressões de preço.

Do nosso ponto de vista e apesar da queda generalizada que se irá sentir no mercado turístico estrangeiro associado ao Reino Unido, é notório que existe uma maior sensibilidade de preço em segmentos inferiores com menor poder de compra, observando-se uma maior resistência para cabazes de produtos para classes com maior poder de compra ou de nicho.

O estudo promovido pela CIP destaca ainda o impacto no turismo, em que o Reino Unido tem um peso importante (Ver estudo).

“Em 2016, passaram por Portugal cerca de dois milhões de hóspedes britânicos que despenderam mais de 9,5 milhões de noites. De facto, a larga maioria dos turistas europeus que chegaram a Portugal em 2016 eram ingleses, representando 21% dos hóspedes e 28% das dormidas em estabelecimentos hoteleiros, tendo crescido a um ritmo médio anual desde 2010 de cerca de 10%/ano em ambos os casos”.

No entanto, relativamente ao mercado Britânico em 2019, está a verificar-se um crescimento de 6,8% (Prov) até ao momento, quando comparado com os períodos homólogos (ver últimos dados TravelBI).

Medidas adotadas pelo governo Português para a minimização dos efeitos do Brexit

O Governo em Portugal aprovou um Plano de Contingência para o Brexit para a eventualidade de uma saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo, este plano inclui medidas como agilização da entrada de turistas britânicos pelos aeroportos de Faro e do Funchal. O plano visa evitar obstáculos e incentivar a reciprocidade para com os cidadãos portugueses que trabalham e vivem no Reino Unido e para os turistas portugueses nesse país. Para além disso é patente a preocupação do governo Português em fazer todos os esforços promocionais para manter o mesmo nível de fluxo de turistas britânicos em Portugal (Ver aqui o plano).

Medidas a adotar pelos proprietários de estabelecimentos

À semelhança do governo Português os hoteleiros devem preparar-se convenientemente para a existência de um “brexit” com ou sem acordo, deste modo devem levar a cabo algumas medidas tendo em vista a minimização dos seus efeitos e salvaguardas os negócios. Todos os negócios serão genericamente afetados, no entanto existem negócios específicos como Hotéis, Alojamento Local, Restaurantes, Hostels, Hotéis Rurais, Turismo habitação, Parques de Campismo, Resorts, entre outros que poderão sentir mais os seus efeitos.

20 medidas a adotar, para minimização do “brexit”:


1. Estar amplamente informado sobre as notícias do “brexit” fazendo o seu acompanhamento em meios Internacionais e Nacionais.
2. Implementar um sistema de otimização de receitas ou “Revenue Management”, em outsourcing.
3. Contratação de especialista em “Revenue Management” em regime de outsourcing;
4. Aumentar o planeamento e previsão de reservas a 12 meses;
5. Reforço da equipa de vendas, marketing e TI em regime de outsourcing;
6. Campanhas de marketing em sintonia com as definições estratégicas da empresa e estratégia de “Revenue Management”;
7. Favorecimento de reservas diretas no website do hotel;
8. Estímulo à procura com publicidade online direta para redirecionar tráfego para o website do hotel (Google Adwords ao Bing, passando pelos canais Metasearch e Social);
9. Assegurar que o website está traduzido para diversas línguas e é capaz de promover o hotel em diversos mercados;
10. Aumentar as campanhas de “Retargeting”;
11. Aumentar a aposta em SEO e SEM;
12. Tradução dos conteúdos do hotel para mais línguas (sem ser a língua inglesa);
13. Entrada em novos mercados;
14. Contratos com novos canais distribuição (de nicho e tendências);
15. Aumentar a fidelização de hóspedes e campanhas promocionais direcionadas a repetições;
16. Reforço de recursos em mercados alternativos de expressão inglesa (Ex: Irlanda, USA, Canada, Malta, Nova Zelândia, Austrália, etc.);
17. Trabalhar os dados existentes nos sistemas da unidade hoteleira através de técnicas de BI, para conhecer o hóspede ideal para cada mercado e hábitos de compra.
18. Colocar informação das condições gerais para os turistas ingleses para visita a Portugal no caso de existir (quando existir) o “brexit”;
19. Execução de pacotes, com valor acrescentado para o cliente (bundle);
20. Criar canais de comunicação direta com os clientes e hóspedes (Ex: Livechat, robots, etc.). Estas vias diretas de comunicação podem informar os hospedes ingleses sobre precauções a tomar antes de vir a Portugal e incentivar a visita;

Considerações Finais

Os efeitos do Brexit (notícias) estão a começar a aparecer só agora em Portugal em regiões mais dependentes de mercados de massas ou segmentos com menor poder de compra, no entanto o mercado do Reino Unido em Portugal ainda se encontra a crescer até ao momento (2019).
Uma libra mais fraca significa teoricamente um menor poder de compra, no entanto, dentro da Europa Portugal continua a ser visto como um destino turístico bastante acessível para os turistas do Reino Unido. Teoricamente estes turistas vão preferir manter-se dentro do Reino Unido, em detrimento de viajar para países onde a moeda perca valor.
Os hotéis, bem como os restantes negócios turísticos, devem permanecer flexíveis e prontos para se adaptar. À medida que as notícias e solução para o Brexit, se torne uma realidade estes deverão ter agilidade e uma capacidade de reação ao mercado quase instantânea. Para manter reservas diretas num mercado incerto, o acompanhamento e o planeamento com antecedência são essênciais.

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Miguel Costa

Mestre especialista em Direção Hoteleira conta com mais de 14 anos de experiência no universo empresarial, em posições de liderança em áreas como marketing, e-commerce, vendas e revenue.

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